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Momento de melancolia

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O silêncio da alma envolveu-me abruptamente
Sequestrou-me, parando o tempo.
A confusão instalou-se em minha mente como um véu feito da neblina da noite
Um topor tomou conta do meu ser colocando-me em sono profundo
E de repente senti em minhas costas o peso do mundo
Ou seria apenas o peso dos meus próprios erros?
Como dissociar aqui, o que cometi daquilo que me acometeu?
Quando a vítima também é culpada não há como diferenciar a injúria da sentença, concluí.
O ar faltou, e as doces memórias desfizeram-se como em um filme de terror.
Como um circo do medo.
Elas me atormentavam, e eu corria para braços que me desprezavam, não houve compreensão.
Talvez ninguém me suporte mais, nem eu, nem mesmo em sonho.
E eu me senti como uma criança, só queria colo.
Eram tantas coisas que já não sabia descrever como eu me sentia.
Um acúmulo de coisas, o cúmulo.
Então tudo se tornou uma tristeza só, profunda.
Fechei os olhos para me distrair do mundo, me internalizar.
Internar-me no hospital da mente, mas nem meu próprio mundo estava são.
E o que mais queria era rir daquele momento, fingir que nada estava acontecendo.
As ilusões se desfizeram como açúcar na boca, e pude sentir um sabor amargo.
A vida perdeu o encanto que tinha, e busquei então mágica em olhos castanhos.
Distração.
Dis-tração
Dis-ação
Feridas abertas não aceitam esse remédio.
E como ei de remediar o mundo, se está corrompido também o mundo interno?
Ajude-me a levantar os muros, com sangue ou não, deixarei a cidade alegre outra vez.
Enfrente, em frente!
É um trocadilho bobo, que nunca irei esquecer.
Que Deus ouça minha prece, porque  a fé é pouca, e o impossível eu não posso fazer.

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