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Visão

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Eis que as escamas dos meus olhos caíram.
E pude ver o passado inteiro passando na velocidade da luz
Foi como a morte.
Parte de mim morreu naquele dia.
E todos os anéis eram falsos, e todos olhavam unicamente para seu reflexo no espelho.
Eu sofri.
As ilusões, minhas amigas, estavam quebradas no chão.
Não foi o suficiente.
A visão ainda embaçada fez-se clara, e enxerguei todos os erros que cometi.
Eles formavam correntes ao redor dos meus pulsos, amarras em meus pés.
Só assim lembrei-me do aviso do sol.
Sua luz ilumina a tudo.
Mesmo assim fechei os olhos quando temi a claridade.
Todos os guardas ao redor continuariam a perseguir meus passos se continuasse naquela sala.
Talvez bastasse apenas sair.
Eu não queria admitir, mas as letras jamais dariam a mim a liberdade que necessito para viver.
Será que um dia arrancar-me-iam também as palavras?
E apesar da consciência eu queria continuar ali.
E foi assim que percebi que a pior de todas as prisões são aquelas que começam na alma.


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