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Ao velório de um passado que te amou profundamente.

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 São Paulo, oito de março de 2014.

Quando você não se importar as flores a minha volta estarão murchas,já não sentirei o frescor da brisa e o canto das aves não terá beleza.

Quando você não se importar o dia pertencerá a cada dia, os raios de sol já não poderão me aquecer e nem a lua, terna confidente, me servirá de consolo.

Quando você não se importar ficarei em silêncio, meu amigo será o eco da memória, você não responderá mais nada.

Quando você não se importar  o vento frio irá me congelar, não existirá filme que me interesse ou chocolate.

Quando você não se importar irei estampar um sorriso no rosto, colocarei os óculos escuros e montarei o cenário do corpo.

 Quando você não se importar estarei perdida, olharei para o céu a procura das estrelas, mas estará nublado.

Quando você não se importar não haverá nascer ou pôr do sol, novamente o tempo não fará sentido.

 Quando você não se importar facas me cortarão, meu sangue estará por toda parte, mas ninguém nunca saberá.

 Quando você não se importar o fogo me queimará de madrugada, o travesseiro abafará o grito e eu me tornarei cinza.

 Quando você não se importar morrerei ao final da dor e nascerá um outro alguém que não se lembrará de nada por emoção.


Quando você não se importar só não volte a se importar porque não poderá me encontrar, não mais, nunca mais.

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